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Catarse (ou “A arte de escrever canções de amor”)

“Escrever canções é mais fácil do que você pensa. E é por isso que é tão difícil.”

Catarse é a purificação das almas através de uma descarga emocional provocada por um drama, já diria Aristóteles. Isso significa que o herói de uma tragédia precisa sofrer para que o público sinta empatia por ele e consiga sentir a sua infelicidade – ou felicidade, se a história tiver um final feliz.

E é exatamente por causa disso que você aguenta ler Édipo Rei ou a Odisséia até o final. Ou chora hoje em dia até com o filme mais bobo que estiver sendo reprisado na Sessão da Tarde (e disso eu tenho experiência, já chorei assistindo a “Quem Vai Ficar Com Mary”. Que sacanagem, seu Aristóteles).


Não fica assim, cara. Vem cá, dá um abraço.

Pra mim, uma forma de catarse, ainda que um pouco distorcida no seu conceito original (e o que não é distorcido do conceito original hoje em dia, não é mesmo?), acontece quando a gente escuta aquela música que está nos dizendo tudo que a gente precisa ouvir naquele exato momento, aquela canção que cai como uma luva – e ainda te esbofeteia na cara, se precisar. Isso já deve ter acontecido com você, e, felizmente, há muitas canções BEM escritas que nos permitem compartilhar da dor ou da alegria do eu-lírico. E eu coloco o “BEM” em letras maiúsculas porque escrever é fácil, mas escrever bem é complicado.

Pra quem escreve bem, no entanto, escrever complicado é fácil. Complicado mesmo é escrever o O Eu Te Amo Hoje, por exemplo, segue a proposta de falar sobre o amor simples, mas como escrever bem sobre o amor sem ser complicado? Como não cair no banal, na mesmice, no clichê? Mas eu divago. Voltemos a falar das canções de amor.

Aos que não sabem (e muitos não devem saber, afinal eu nem me apresentei direito no meu primeiro post no blog, mas isso a gente vai fazendo aos poucos, sabe como é), sou músico e meu projeto mais recente, a Dois a Rodar, tem todas as letras escritas por mim.

E eu vou contar um segredo pra vocês: escrever canções de amor pode ser muito fácil. Amor rima com dor, mas se você quiser algo mais quente pode rimar com calor também. Paixão rima com coração, e se você quiser algo mais triste pode incluir solidão, desilusão, decepção – depois a métrica se ajeita. Amar rima com… Bem, rima com todos os verbos no infinitivo que terminam com a primeira conjugação.

Amar não rima com sofrer – apesar de a relação ser imediata em muitos casos – mas daí existe toda uma outra conjugação de verbos terminada em -er que pode ser utilizada, além de também rimar com “você”, provavelmente a palavra mais usada de todas as canções de amor. As rimas ficam pobres, o conteúdo fica raso, as músicas acabam fazendo sucesso porque o cantor é bonitinho, enfim. Você entendeu onde eu quero chegar.

Porém, eu falava sobre escrever BEM, e escrever boas canções de amor não é tão fácil quanto parece.

Digo por experiência própria que há compositores que tentam fugir tanto do lugar-comum que acabam chegando a lugar nenhum – e apesar de isso também rimar, eles acabam cometendo um grande deslize.

Escrevem canções de amor complicadas demais.

A canção de amor precisa ser simples porque o amor precisa ser simples. Mas a canção de amor não pode ser banal porque o amor também não pode. Futuramente eu vou mostrar, neste mesmo humilde espaço, bons exemplos de boas canções e bons discos sobre isso.

Na Dois a Rodar, me comprometi, depois de muito complicar o amor nas canções, a escrever canções simples. Simples para que as pessoas (e os amores) consigam se identificar facilmente. Simples para que alguém, um dia, escute, preste bastante atenção, e pense que aquela canção realmente cai como uma luva – e ainda faz cafuné, se precisar.

E é por causa disso que eu convido todos a baixarem “Sinestesia”, EP da minha banda. Está de graça no nosso site.

Ah, e um último pedido: não distorçam o conceito original do amor com as canções erradas.


E se o cantor não for bonitinho?

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