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Redundância (ou “A arte de escrever sobre as mesmas coisas”)

Eu sempre escrevi demais. Não em qualidade – isso é discutível, e eu geralmente sou o primeiro a argumentar contra a qualidade da minha própria escrita – mas em quantidade.

Meus textos sempre foram razoavelmente prolixos, apesar de eu tentar sempre manter a coerência. Às vezes não dá certo; no texto publicado na semana passada, por exemplo, eu pretendia (e poderia) ficar muito mais tempo divagando sobre a necessária simplicidade das canções de amor. Pensei até em dividi-lo em três ou mais partes, mas me controlei.

E me controlei porque, assim que terminei o último texto, outra dúvida surgiu. As canções de amor não estão ficando repetitivas demais?

É fato, existem canções demais no mundo. Dessas, uma grande maioria fala do tema universal de qualquer adolescente que aprende os três primeiros acordes no violão: o amor. Mas e se todas as canções de amor forem escritas, o que resta? Ficaremos nesse eterno pleonasmo lírico?

Ou nos contentaremos com refrões feitos de sílabas soltas sem qualquer sentido?

A pergunta é retórica, mas não é isso que irá me impedir de criar uma teoria para respondê-la: não, não ficaremos.

(Sim, essa foi apenas a introdução da coluna de hoje. Eu avisei que eu era prolixo…)

A linguística considera “texto” qualquer manifestação que faça sentido em um ambiente de comunicação. Essa manifestação precisa ser criada por alguém, a quem chamamos de emissor, assim como também precisa atingir alguém – o receptor.

Um texto também não precisa necessariamente ser escrito. Se um dono de um bar coloca na sua parede uma placa com o desenho de um cigarro aceso atrás de um círculo vermelho com uma linha em diagonal no meio, todos os seus clientes são atingidos pela mensagem. Estabeleceu-se a comunicação, correto? Todos ficam felizes (e sem cheiro de cigarro).


Pois o fogo pode pegar.

No exemplo acima, no entanto, não há dúvidas quanto ao conteúdo do texto. E, caso você já tenha esquecido onde eu queria chegar com um exemplo tão raso e tanta verborragia, volto a dizer que não, não correremos o risco de nos repetirmos ad aeternum com as canções de amor. E sabe o porquê?

É nessa hora que eu conto outro segredo pra vocês: ninguém escuta uma canção do mesmo jeito que outra pessoa.

E essa é a beleza disso, não é? O processo é o mesmo, e os resultados são sempre diferentes. O compositor escreve uma canção, e cada par de ouvidos que a recebe interpreta do seu jeito, de acordo com as suas experiências, com a sua memória, com o seu jeito de pensar e de sentir o amor.

Aproveite essa reflexão para acompanhar a letra de “Martha, My Dear”, composta pelo Sir  Paul McCartney (clique nas legendas para ver a tradução):

Linda canção, não? Talvez você até tenha se identificado, pensado na sua namorada, esposa… Ou feito como o próprio Paul McCartney, que dedicou essa canção à sua inseparável…


Dica: ela está no centro da foto

…Cadela! Sim, essa fofura da foto é a sheepdog do Paul, Martha. Claro, ele mesmo já assumiu que a canção tem um quê de provocação à sua recém ex-namorada na época, Jane Asher (à esquerda na foto acima e pra quem, inclusive, ele compôs outras canções, como “We can work it out” e a belíssima “Here, there and everywhere”). Ainda assim, é uma canção retratando um dos amores mais sinceros que um homem pode sentir.

Mas o que importa é saber que qualquer canção, não importa quando, como e por que motivo foi escrita, qualquer canção de amor fará sentido pra um receptor, que, talvez naquele momento, precisava escutar exatamente aquelas palavras.

Não nos preocupemos; assim como o amor, as canções também não têm limites. E enquanto tiver quem as sinta, elas sempre farão sentido.

(E pra encerrar, a prova de que até nos refrões feitos de sílabas soltar sem qualquer sentido é possível achar alguma beleza…)

Como é que dança isso, Neymar?

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