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Feito um Picolé no Sol (ou “Obrigado por tudo, Nico”)

Foi no dia 7 de fevereiro, por volta das cinco da manhã. Todos ainda dormiam, alguns recém acordavam. Mas todos foram pegos de surpresa.

Nico Nicolaiewsky, músico, compositor, ator, comediante, pai e gênio, faleceu na última sexta, em decorrência das complicações relacionadas à Leucemia Mielóide Aguda, que havia sido descoberta menos de um mês antes.

Iniciou a carreira musical como um dos vocalistas e tecladista do Grupo Musical Saracura, cujo único LP possui a belíssima “Flor”, composta por ele.

Em 1984, fundou o eterno Tangos e Tragédias, espetáculo de humor que conduziu na pele do Maestro Pletskaya por 26 anos ininterruptos, sempre acompanhado do seu parceiro Hique “Kraunus Sang” Gomez. A premissa do Tangos e Tragédias é a de dois sbornianos (isto é, naturais da Sbórnia, que “hoje é uma ilha navegando pelos mares do mundo”, “conhecida internacionalmente por ter uma grande lixeira, onde todo mundo deposita o lixo cultural, o que não serve mais pra nada, o que já saiu de moda”) que “desembarcaram” da sua terra natal no Brasil para criar releituras de pérolas esquecidas da nossa cultura – de Paralamas do Sucesso a Teixeirinha, de Titãs a Vicente Celestino.

Em 1996, lançou seu primeiro álbum, que contém – e digo isso sem medo de ser hiperbólico – uma das canções mais lindas de todos os tempos (e um hino particular deste humilde fã), “Feito Um Picolé no Sol”, entre outras canções de um lirismo incomparável, que o colocou entre os grandes compositores contemporâneos gaúchos.

Seu segundo – e infelizmente, último – álbum foi lançado em 2007, onde trocou a abordagem mais sofisticada do trabalho anterior e assumiu uma postura muito mais pura, muito mais simples, mas nem por isso menos valiosa.

“Onde Está o Amor?” tenta responder a própria pergunta. E faz com que cada canção te deixe mais perto de alguém. Que te vence pelos suspiros, faixa a faixa.

(Coincidentemente, há algumas semanas, escrevia sobre a simplicidade das canções de amor e, se eu tivesse mais espaço para desenvolver o tema e quisesse incluir outros exemplos, esse álbum seria a demonstração perfeita de que é possível ser simples, acessível, e ainda assim escrever BOAS canções de amor.)

“Ser feliz é complicado

Bem mais fácil é sofrer

E ficar parado sem saber o que fazer

 

Eu não sei o que fazer

Vou fazendo mesmo assim

Eu não vou ficar esperando alguém fazer por mim”

O último projeto do Nico se chamava “Música de Camelô”, e, também por coincidência, foi citado no final de outro post meu. Esse projeto tinha o intuito de, assim como na essência do Tangos e Tragédias, encontrar a beleza e o lirismo em canções popularescas de hoje e de outrora, de intérpretes como Michel Teló, Gusttavo Lima, Kelly Key e Luka.

Portanto, façam um favor a vocês mesmos e deem um jeito de conseguir esses discos. Ouçam as músicas no Youtube. Procurem o DVD do Tangos e Tragédias, lançado em 2004. No Google, com certo esforço, eles podem ser baixados, ou, melhor ainda, comprados. É necessário. Mais música boa no mundo e mais respeito a um grande artista como esse é mais do que necessário.

Porque Nico Nicolaiewsky, poeta analfabeto, maluco, profeta, palhaço e cantor, faleceu nessa última sexta-feira. Um cara que procurava o amor em todas as canções. Um cara com recheio de verdade no coração. E que deixou todos nós aqui, feito picolés no sol, tentando esquecer do mal que tá lá fora e já morrendo de saudade.

Vai buscar tua estrela brilhando no céu, Nico. Dançando e cantando pra subir.

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